quarta-feira, 1 de junho de 2011

“Arquitetura é experiência!”


Arquitetura é experiência! – A arquitetura como parte da estratégia de branding.
Em nossa última edição, escrevi sobre o papel da arquitetura enquanto comunicação de uma promessa de marca. Desta vez, abordaremos o papel da arquitetura como parte da experiência de consumo em bares, restaurantes, cafeterias e demais estabelecimentos de alimentação. Experiência que se constitui como parte da entrega e atendimento das expectativas, como comentei em meu artigo anterior.
Ao pensarmos na experiência de consumo, tendemos a dar especial atenção ao produto, mesmo que este não se restrinja ao sabor do alimento e cada vez mais tenha o visual e a apresentação também valorizados. Porém não podemos perder de vista o contexto onde esta entrega se dará: nos espaços e ambientes onde o produto verdadeiramente se insere como parte de uma experiência multisensorial. Para quem já pediu um delivery ou take-over e percebeu que o mesmo prato fora do seu contexto não parece ter a mesma graça, sabe do que eu estou falando. Isso ocorre pela percepção que temos ao sermos estimulados através dos sentidos, que afetam diretamente (positiva ou negativamente) o nosso estado emocional e nossa percepção do que está ao nosso redor.
Dentro de uma visão de branding (construção de marcas) uma das questões que permeia a experiência de marca é justamente o trabalho com os diferentes sentidos do cliente, ou o chamado design multisensorial. Tato, visão, paladar, olfato e audição se somam para criar uma experiência mais ampla e rica quando trabalhados em harmonia. Se a própria percepção de sabor é a mescla entre o aroma e o paladar, que outros sentidos podemos adicionar para enriquecer esta experiência?
Atualmente, o design multisensorial ganha espaço em diferentes segmentos. Cada vez mais, por exemplo, lojas de moda desenvolvem aromas para os seus ambientes, cuidam melhor de sua iluminação e trabalham até programações personalizadas para o som ambiente. Pode não parecer, mas boa parte destas mesmas lojas não escolhe ao acaso o seu aroma, ou desenvolve internamente a programação de seu som ambiente, ao contrário, contam com empresas de consultoria especializadas na definição de sensações (seja elas olfativas, sonoras ou visuais) que estejam alinhadas à personalidade de suas marcas e fortalecimento do seu posicionamento.
Percebemos o mundo através dos sentidos, e à medida que os mesmos se mesclam em de forma harmoniosa, mais sentido e prazer obtemos destas experiências.
O que é interessante de se observar neste contexto é a preocupação de marcas de bancos, lojas e outros segmentos em promover cada vez mais uma experiência de compra multisensorial, pois perceberam os resultados que poderiam obter em aumento de vendas e satisfação dos clientes, enquanto justamente a maioria dos restaurantes (bares, caferias etc), que pela própria natureza da atividade tiveram sempre a oportunidade de explorar a experiência multisensorial em todos os sentidos (literalmente), pouco o fazem de uma maneira verdadeiramente coordenada.
Pode haver na maior parte dos estabelecimentos sim a preocupação com o produto, e mesmo com a arquitetura e decoração. É verdade. Mas não de uma forma integrada. Não é incomum vermos a experiência proporcionada pelo ambiente se apresentar de forma desconexa do posicionamento da empresa, produto, música ambiente, iluminação, atendimento, etc.
Como o alimento (que soma visual, aroma e paladar), a arquitetura por si só também é uma experiência multisensorial. Nela podemos ver trabalhadas amplamente a estimulação visual das cores, formas e iluminação, bem como das sensações de textura e tato proporcionadas pelos diferentes materiais e superfícies com os quais o cliente tem contato. Mas a experiência da arquitetura não para por aí. Diferentes materiais liberam ou absorvem aromas, e a forma como são organizados no espaço podem dissipar ou intensificar os ruídos do ambiente.
A integração destes sentidos, e das mensagens que esta mesma arquitetura comunica, fazem parte da construção de uma marca forte, sólida, consistente, e principalmente, coerente. Quando estas diferentes partes se encontram desconexas (mesmo que de bom gosto) o cliente tende a ter dificuldade em entender qual é a proposta do seu estabelecimento, e o que ele deve verdadeiramente esperar ou sentir à respeito do seu produto e serviço.
Cada detalhe conta para criar uma experiência integrada e rica. Ao trabalhar adequadamente as diferentes sensações que podem cativar o emocional do seu cliente, mais ele tendera a gostar de você. E a sua arquitetura? Faz sentido?



Artigo publicado originalmente na revista Gourmet e Food Service em Dezembro de 2008
Escrito por: Guilherme Sebastiany






Comentário: Como diz o autor, a arquitetura tem papel importante na experiência de consumo. Não é só o produto que atrai, mas também o espaço, o ambiente. Estar em um bar bonito, sofisticado, nos traz uma experiência totalmente diferente de estar em um "buteco" onde mal conseguimos sentar. Uma loja bem decorada, que nos permite fácil circulação para olhar os produtos, nos passa maior qualidade de espaço, nos faz permanecer por mais tempo nela do que em uma loja pequena, onde os produtos são expostos de maneira desorganizada, onde a luz é forte demais, o barulho alto demais, a cor forte demais. O espaço arquitetônico te influência a ficar nele ou não. A permanecer por mais tempo ou não. Tudo tem de estar de acordo. A iluminação, a ventilação, as cores, os sons, os cheiros. Um espaço de qualidade nos passa mais credibilidade.



quarta-feira, 18 de maio de 2011

Milionários de BH impulsionam consumo de luxo

O mercado de consumo de luxo, pouco explorado em Belo Horizonte , começa a aumentar seu potencial. De olho nas oportunidades, alguns empresários estão focados nesse público diferenciado, que cresce em ritmo superior ao do Produto Interno Bruto (PIB). Gradualmente, surgem na capital mineira opções de consumo sofisticado de joias, automóveis e gastronomia.

O impulso do segmento de luxo vem no embalo da expansão do número de milionários no país. Em 2009, os milionários – com patrimônio superior a US$ 1 milhão – no Brasil somavam 147 mil pessoas, conforme levantamento do banco Merril Lynch, o que indicou crescimento de 12% desta camada da população .

Este universo sustentou o faturamento de US$ 7,59 bilhões das empresas do mercado de luxo no ano passado, que venderam 22% a mais ante o ano anterior, conforme estudo da MCF Consultoria e GfK Brasil.




Apesar do movimento bilionário, a representatividade do Brasil no mercado mundial de luxo é de 1%. Mas, na condição de economia emergente, já se projeta que, em 15 anos, o país responderá por 5% do segmento.

“Devido ao mercado ainda ser muito pequeno, as taxas de crescimento são elevadas. Isso porque está ocorrendo expansão para praças fora de São Paulo”, analisa o diretor de Atendimento em Novos Negócios da GFK, Antônio Carlos Perrella.

Na pesquisa, além de São Paulo e Rio de Janeiro, outras capitais aparecem com grande potencial. São elas: Brasília, Porto Alegre, Curitiba, Salvador e Belo Horizonte.

Segundo a gestora da área Institucional da MCF Consultoria, Elaine Póvoas, poucos especialistas esperavam que o segmento de luxo apresentasse uma rápida e robusta recuperação após a crise. “A América Latina, que sempre esteve longe de qualquer prioridade de desenvolvimento, investimento e expansão das marcas de luxo, deve apresentar, em 2010, crescimento de aproximadamente 12%, com fortíssima relevância dos mercados brasileiro e mexicano”, afirma.

A estruturação da oferta de produtos de luxo em Belo Horizonte enfrenta o fato de São Paulo ser o centro de gravidade deste segmento no país. Com a abertura de novos empreendimentos e expansão de outros já existentes, as empresas mineiras tentam reter o consumidor, que muitas vezes viaja para outros estados para fazer compras.

De acordo com os empresários, o segmento está superaquecido, e as perspectivas de crescimento são sempre acima dos dois dígitos. Entretanto, para atuar nesse mercado, é preciso acompanhar as transformações de um público diferenciado, exigente e que tem disposição para gastar.

A oferta de condições de pagamento facilitadas também ajuda a impulsionar os negócios, a exemplo do que acontece entre as classes populares. O parcelamento no cartão de crédito amplia o poder de compra do consumidor de luxo, que acaba levando mais produtos.


Joalheria investe R$ 5 milhões no segmento
Um ponto que ajuda no desenvolvimento do segmento de consumo de alto luxo, de acordo com o empresário Manoel Bernardes, sócio da joalheria de mesmo nome, é a flexibilidade nas formas de pagamento no Brasil. “Quando o cliente tem a possibilidade de pagar em até dez vezes, ele pode ter acesso a diversos produtos em um mesmo momento”. Mas, segundo ele, a ênfase não está no preço dos produtos, mas na diversidade.

O complexo de luxo da loja Manoel Bernardes, recém-inaugurado no 4º piso do BH Shopping, recebeu investimentos de R$ 5 milhões. No espaço estão as principais marcas de relógios do mundo, como Rolex, Breitling, Montblanc, Michael Kors e Cartier. Os valores dos itens variam muito, mas, de acordo com o proprietário, alguns modelos exclusivos, como um Rolex, podem valer R$ 500 mil.

Durante a escolha, o cliente pode apreciar champagne ou uísque. Os atendentes são especializados em cada marca. Segundo Bernardes, o objetivo é atender o cliente sofisticado, que antes viajava a São Paulo para fazer suas compras.

O administrador Thales Barbosa Maffia, de 45 anos, é colecionador de relógios e canetas. Até pouco tempo atrás, viajava a São Paulo para fazer novas aquisições. Dono de mais de 400 relógios e 200 canetas, ele diz que, hoje, boa parte de suas compras já é feita em Belo Horizonte, na loja de Manoel Bernardes.

“Não se compra um produto. Compra-se o produto. O importante não é o preço, e sim a exclusividade, a qualidade, o atendimento, a garantia, entre outras coisas que agregam valor ao relógio”, ressalta.

Maffia faz questão de analisar criteriosamente e com calma cada peça que pretende adquirir. Apesar de ter relógios mais valiosos, como o Patek Philippe, o preferido de sua coleção é o modelo Nicolas Rieussec, da Montblanc, avaliado em R$ 40 mil. “Procuro exclusividade. No Brasil, só existem três dele. Já cheguei à loja decidido a comprá-lo”, diz.

A crescente procura por serviços e produtos de luxo fez surgir um novo profissional, o consultor de mercado e turismo de luxo. O consultor Luís Henrique Sampaio organiza viagens a São Paulo para clientes que desejam fazer compras em lojas e shoppings de alto luxo, ou buscam lazer em teatros e restaurantes de primeiríssima linha. “Os clientes valorizam a satisfação de ter adquirido algo desejado, exclusivo. Mas deixo bem claro quando faço as minhas consultorias: Use por refinamento, nunca por ostentação”, ressalta Sampaio.


Gado tratado com cereal e cerveja
Voltada para o público feminino, a boutique M&Guia especializou-se em alta costura. Em seu port-fólio, a loja tem marcas como Balmain, Dolce&Gabbana, Roberto Cavalli e Emílio Pucci. Segundo a gerente-geral, Lelete dos Mares Guia Farkasvolgyi, o diferencial está na diversidade dos produtos e no atendimento personalizado.

“Conhecemos as nossas clientes e seu perfil. Quando vamos ao exterior renovar a coleção, já identificamos qual peça será do agrado de cada uma delas”, assegura.

Também há atendimento domiciliar. As atendentes selecionam os vestidos dentro do perfil e a pessoa pode escolher. Os preços variam conforme a marca e o corte, mas um vestido da Balmain chega a custar R$ 23 mil.No ano passado, as vendas da M&Guia cresceram 14%. Para 2011, é projetada uma alta de 15%. De acordo com Lelete, a demanda está cada vez maior. “Por mês, temos uma média de 40 novas clientes, dessas, 90% fazem novas compras com a gente. Nosso público é muito fidelizado”, afirma.

A concessionária Euroville, representante da alemã BMW há 12 anos, passou a comercializar no ano passado o compacto inglês Mini Cooper. Por mês, são vendidos 80 carros. O mais barato não sai por menos de R$ 99 mil. Já modelos como a BMW Série 7 podem chegar à casa dos R$ 640 mil.

A assistente de Marketing da Euroville, Thábata Portugal, diz que os clientes procuram, nas duas marcas, potência, garantia, assessórios, conforto e segurança. “Existem clientes que já compraram mais de cinco carros conosco. Muitas vezes, os veículos são presentes para os filhos e as esposas”.

Filipe Geraldes e Marcela Malzone, ambos de 23 anos, abriram a hamburgueria B. Bistrô há cerca de um mês. O hambúrguer mais pedido é o Paris, que custa R$ 29. O Especialíssimo tem entre seus ingredientes o alho negro e a carne de Kobe, a mais cara do mundo. Ela é extraída dos bovinos da raça Wagyu, que são tratados com uma dieta a base de cereais selecionados, cerveja, massagem e música clássica.

Proprietário do restaurante Vecchio Sogno, o chef Ivo Faria diz que o crescimento da demanda é con-sequência da mudança do público.

Observando as possibilidades do mercado, Ivo Faria abriu neste mês uma nova casa com a sua assinatura, a Infinita Empório e Padaria.


Fonte: http://comprenaplanta.net/2011/02/milionarios-de-bh-impulsionam-consumo-de-luxo/






Comentário: Com o mercado de luxo em expansão, a arquitetura e a decoração também ganham espaço importante. Cada vez mais as lojas de luxo investem nos mais sofisticados projetos de arquitetura e decoração. O mercado de luxo não tem medo de ousar. 

domingo, 1 de maio de 2011

Som e música: o sensorial no tratamento do Alzheimer

Investigação do Instituto de Neurociências da Universidade de Salamanca tem confirmado a eficácia da terapia de estimulação sensorial no tratamento da doença de Alzheimer, especialmente a audição e a visão, o que estimula o cérebro do paciente através do som e música.

Nós não estamos falando de cura, mas de manter os pacientes em um nível de ativação de alta capacidade, faz parte do programa de intervenção áreas do funcionamento, tais como cognitivas, neurológicas, emocionais, funcionais e sociais.

A experiência que vem sendo realizado no Centro de Referência Estadual para atendimento das pessoas com doença de Alzheimer e outras demências (CREA) foi desenvolvido durante dois anos ele tem trabalhado com mais de trinta pacientes entre 60 e 80.

“Nós não estamos falando de cura, mas tentar manter os pacientes com um alto nível de ativação para que eles tenham uma melhor qualidade de vida possível”, disse o pesquisador do Instituto de Neurociências, Juan José García Meilan.

A novidade em relação aos programas existente, nas palavras de García Meilan, é  ”tentar trabalhar todos os aspectos cognitivos do paciente”, e em especial “atenção, motivação e emoção.”

“Entre as novas terapias desenvolvidas, foi mencionada a de estímulos sensoriais, especialmente auditivos e visuais, para aguçar o cérebro dos idosos através de sons e música.

O programa inclui ainda “a promoção da estimulação aeróbia”, com o objetivo de “oxigenar o cérebro do paciente para manter a sua efetividade e o prejuízo cognitivo.”

A investigação também inclui a estimulação da memória autobiográfica por meio de faixas de música. O uso desse recurso tem sido argumentado da seguinte forma: “as memórias doentes tem diferentes tipos de música, sejam tristes ou felizes.”



Fonte: http://www.reabilitacaocognitiva.org/2011/04/5498/




Comentário: A música exerce efeitos sobre a gente. Ela distrai, emociona, nós faz lembrar de alguém ou algum momento ou de algum lugar. A música pode relaxar, pode nos agitar. Esse efeito da música sobre as pessoas tem sido aplicado nos variados seguimentos, inclusive no comércio. Tenho notado muitas lojas e variadas lojas, fazendo o uso de música ambiente. E realmente, uma boa música pode mudar nossa percepção e ação dentro de um ambiente.